PASSOS/MG – Um caso de capacitismo registrado no curso de Medicina da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), unidade de Passos, ganhou repercussão após denúncia feita pela família de um aluno autista de 20 anos, atualmente no 5º período. O estudante teria sido discriminado por colegas durante uma reunião ocorrida no último dia 31 de março, quando foi chamado de "fardo" por alguns estudantes que alegaram perder pontos ao serem obrigados a compor grupos de trabalho com ele.
Segundo os relatos, os colegas afirmaram que tiravam notas mais baixas por conta da lentidão do aluno nas apresentações. O jovem gravou parte da reunião e, com base nesse conteúdo, seus pais formalizaram uma denúncia junto à universidade.
O episódio gerou forte comoção e a indignação da família aumentou após, no Dia Mundial da Conscientização do Autismo (2 de abril), o aluno também ser advertido pela instituição, ao lado dos demais envolvidos, sob a alegação de que o caso se trataria de uma “briga geral” entre estudantes. A decisão foi duramente criticada e levou os pais a acionarem assessoria jurídica para adoção das medidas legais cabíveis.
“Estamos lidando com um caso absolutamente grave de capacitismo, que envolve não só alunos, mas também membros da coordenação. Já temos vasto material reunido e todos os envolvidos deverão ser responsabilizados com o rigor da lei”, afirmou o advogado Fernando Proença, que representa a família.
Ainda segundo ele, a UEMG não teria feito qualquer contato oficial com a família, tampouco emitido um pedido de desculpas pelo ocorrido. “A universidade até agora não procurou a família para oferecer qualquer sinal de empatia ou reconhecimento da gravidade do caso”, disse o advogado.
No entanto, informações extraoficiais obtidas pela reportagem do Portal Marcelo Augusto apontam que a UEMG teria iniciado tratativas internas para entrar em contato com o aluno e sua família, com o objetivo de pedir desculpas formais e reverter a advertência disciplinar aplicada. Até o momento, a informação ainda não foi confirmada oficialmente pela instituição.
Em nota oficial publicada nesta semana, a UEMG declarou repudiar veementemente qualquer forma de discriminação e reforçou seu compromisso com a promoção de um ambiente acadêmico inclusivo e respeitoso. A direção informou também que instaurou uma Comissão de Inquérito Disciplinar para apurar rigorosamente os fatos.
O caso segue em apuração, e o escritório Ghedin, Hauck & Proença Advocacia, que assumiu a defesa da família, afirmou que buscará reparação judicial e responsabilização dos envolvidos por violação aos direitos fundamentais da pessoa com deficiência.

