RIO DE JANEIRO (RJ) – O brasileiro tem adiado o casamento e se divorciado menos, segundo os dados mais recentes sobre registro civil divulgados pelo IBGE. As estatísticas mostram mudanças importantes no perfil das uniões formais no país nas últimas duas décadas, com crescimento dos casamentos em idades mais avançadas e redução no número de divórcios.
Há 20 anos, 86,8% dos homens que se casavam tinham entre 15 e 39 anos. Em 2024, esse percentual caiu para 68,7%. Entre as mulheres nessa mesma faixa etária, a queda também foi significativa: de 91,5% para 74,7% no período analisado. Os números indicam que mais pessoas têm optado por formalizar a união acima dos 40 anos, muitas delas em um segundo casamento, impulsionadas também pelo aumento da expectativa de vida.
Em 2004, apenas 13,5% dos matrimônios registravam pelo menos um dos cônjuges como divorciado ou viúvo. Em 2024, essa proporção mais que dobrou, chegando a 31%. Nesse grupo, a idade média ao se casar foi de 45,3 anos para os homens e 41,5 anos para as mulheres, reforçando o movimento de casamentos mais tardios e de retomada da vida conjugal após uma separação ou perda do parceiro.
Na direção oposta, o número de divórcios apresentou uma queda de 2,8%, a primeira redução desde 2020. O recuo interrompe uma sequência de altas observada nos últimos anos e pode estar associado a múltiplos fatores, como mudanças de comportamento, condições econômicas, reavaliação de prioridades após a pandemia e maior busca por mediação e diálogo nas relações.
Para o IBGE, o conjunto dos dados revela um cenário em que o casamento tende a ocorrer em fases mais maduras da vida, com maior participação de pessoas que já passaram por outras uniões. Ao mesmo tempo, a redução dos divórcios, ainda que moderada, pode indicar uma nova etapa no comportamento conjugal dos brasileiros, em um contexto de transformações sociais, culturais e demográficas.


Comentários: