PASSOS – A Câmara Municipal realizou na noite desta terça-feira (23), audiência pública para debater o Plano de Mobilidade Urbana, enviado pelo Executivo. O documento, que tem quase 1.100 páginas, traça diagnóstico, inventário e apresenta diretrizes para o futuro da mobilidade em Passos, envolvendo pessoas, veículos e todo o sistema viário.
O encontro, conduzido pelo presidente da Comissão de Administração Pública e Políticas Urbana e Rural, vereador João Serapião, contou com a presença do presidente da Câmara, Plínio Andrade, e de outros parlamentares. A mesa das autoridades foi composta também pelo vice-prefeito e secretário de Planejamento, Maurício Silva, e pelo secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Abdala. Cerca de 60 pessoas participam da reunião no plenário.
Segundo Serapião, a audiência reforça o compromisso da Casa com a transparência e a participação popular, já que o plano impacta diretamente a vida de todos os cidadãos. A íntegra do documento pode ser consultada no site camarapassos.mg.gov.br.
O secretário Leonardo Abdala falou sobre alguns pontos do relatório técnico elaborado pela empresa contratada em 2024 com apoio de 20 servidores municipais. Foram seis fases de trabalho, incluindo diagnóstico, estudo viário, transporte coletivo e ciclovias, além de duas audiências públicas anteriores.
Preocupações do comércio e do turismo
Durante as manifestações, representantes de entidades reforçaram a preocupação com impactos no comércio e no turismo.
O presidente do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), Elder Maia, destacou que mudanças não podem comprometer cartões postais da cidade, como a Avenida da Moda, reconhecida como “shopping a céu aberto”.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Frank Freire, avaliou que alterações no fluxo de veículos podem inviabilizar investimentos feitos por empresários e resultar em demissões ou até no fechamento de lojas.
O presidente da Associação Amigos da Avenida, Fagner Pimenta, lembrou que a Avenida da Moda foi projetada como via lenta, para que motoristas tivessem tempo de observar as vitrines. Ele citou levantamento de dias promocionais em que a via chegou a registrar mais de 25 mil veículos em horário comercial.
Já o empresário José Ricardo, do comércio da rua São Paulo, relatou prejuízos após a mudança da via de mão dupla para mão única. Segundo ele, a alteração reduziu drasticamente o movimento, ocasionando fechamento de empresas e ameaça de demissões em sua panificadora.
Posição da Prefeitura
O vice-prefeito e secretário de Planejamento, Maurício Silva, assegurou que, no que depender dele e do prefeito Diego Oliveira, a Avenida da Moda não será transformada em via de trânsito rápido. Mas alertou: “Passos tem hoje 84 mil veículos emplacados. Em 2034, serão 120 mil. Se nada for feito agora, o trânsito irá colapsar”.
O secretário Leonardo Abdala reforçou que o estudo não é “engessado”, mas sim um levantamento de gargalos e alternativas. Ele afirmou que mudanças sempre serão debatidas com a população e que nenhuma decisão será definitiva sem avaliações posteriores.
No encerramento dos trabalhos, o membro da comissão, vereador Alex Bueno afirmou que toda as modificações propostas pela equipe técnica contratada serão implantadas de forma paulatina, sempre ouvindo a comunidade e se adequando a realidade do momento.

