BRASÍLIA / PASSOS – A quantidade de pessoas picadas por escorpiões segue em alta no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e setembro deste ano foram registrados cerca de 126,6 mil casos no país, com 148 mortes confirmadas no período.
O estado com mais ocorrências é São Paulo, com aproximadamente 28 mil casos, seguido de Minas Gerais, com 21 mil, e Bahia, com 12 mil registros.
Um estudo recente, publicado em revista científica, já havia apontado esse aumento e classificou o cenário como uma “epidemia silenciosa”. Segundo a pesquisa, entre 2014 e 2023 foram contabilizados mais de 1,17 milhão de ataques de escorpiões no Brasil, e as projeções indicam crescimento contínuo, com estimativa de pouco mais de 2,09 milhões de casos até 2033.
Para os pesquisadores, o avanço dos escorpiões está diretamente ligado à proliferação nas áreas urbanas, impulsionada por urbanização desordenada, saneamento precário e mudanças climáticas, fatores que favorecem o ambiente ideal para esses animais.
Em Passos, o alerta também foi aceso. Segundo Sérgio Bellini, coordenador do Núcleo de Controle de Zoonoses do município, houve aumento nos casos de acidentes envolvendo escorpiões nos últimos dias, em função do período de reprodução.
De acordo com ele, entre agosto, setembro e outubro as fêmeas sobem à superfície para se proliferar. “O escorpião-amarelo é assexuado, a fêmea não precisa do macho para se reproduzir, o que facilita muito a multiplicação”, explica. Vários escorpiões têm sido encontrados em diferentes pontos da cidade.
O escorpião-amarelo é considerado o mais perigoso. Vive, principalmente, na rede de esgoto, se reproduz com facilidade e se adapta rapidamente ao ambiente urbano – o que torna o controle muito mais difícil. Capaz de subir por encanamentos, ele consegue alcançar praticamente qualquer tipo de residência, inclusive apartamentos em andares altos.
Bellini reforça que alguns locais são mais propícios à presença do animal: residências de acumuladores e imóveis com recicláveis e materiais empilhados, como caixas, entulhos e restos de construção. “Esses ambientes, com muito material aglomerado, se tornam abrigos ideais para o escorpião”, destaca.
Para evitar acidentes, o Núcleo de Controle de Zoonoses orienta a manter quintais limpos, evitar o acúmulo de materiais de construção (tijolos, telhas, caixas de piso, madeiras e entulho em geral) e organizar corretamente os recicláveis, evitando montes e pilhas que sirvam de esconderijo.
O órgão lembra ainda que não trabalha com dedetização contra escorpiões. Segundo Bellini, não há um veneno específico que elimine de forma segura e definitiva esses animais no ambiente. “A orientação, quando o escorpião é encontrado, é eliminar o animal com segurança, certificando-se de que está morto antes de recolhê-lo para descarte”, afirma.
Em Passos, o Núcleo de Controle de Zoonoses pode ser acionado pelos telefones
📞 (35) 9 8405-9165 ou Zap (35) 9 8417-2672.
Especialistas reforçam que é possível reduzir o risco de acidentes com medidas simples de prevenção. Em casa, a orientação é manter ralos bem tampados, instalar telas em janelas, vedar frestas em paredes, portas e pisos e evitar acúmulo de entulho. Quintais e jardins devem ser mantidos limpos, com cuidado especial em locais onde há histórico de presença de escorpiões.
Também é importante verificar roupas, calçados, toalhas, lençóis e cobertores antes de usar, especialmente em regiões onde os acidentes são mais comuns.
Em caso de picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão, não fazer torniquete, não cortar a pele e não tentar sugar o veneno. A vítima deve procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica e, se possível, levar o escorpião, mesmo morto, para auxiliar na identificação pelas autoridades sanitárias.

