PASSOS – A dor de cabeça é um problema comum que afeta grande parte da população, podendo variar de episódios leves a crises incapacitantes. Entre os tipos mais frequentes, está a cefaléia, termo médico para dor de cabeça, que pode ter diversas origens e intensidades. Algumas formas são ocasionais e benignas, enquanto outras podem indicar condições mais graves.
Para esclarecer as causas, diagnósticos e tratamentos da cefaleia e da enxaqueca, o neurocirurgião Dr. Matheus Schimidt, da Santa Casa de Misericórdia de Passos, concedeu uma entrevista detalhando as principais dúvidas sobre o tema.
O que causa a enxaqueca e como tratá-la?
A enxaqueca é um tipo específico de cefaleia que se caracteriza por crises recorrentes de dor pulsante, geralmente em um dos lados da cabeça, podendo vir acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Segundo o Dr. Matheus Schimidt, o problema pode ser desencadeado por diversos fatores.
"As principais causas da enxaqueca incluem predisposição genética, estresse, privação de sono, consumo excessivo de cafeína, álcool e tabaco, mudanças hormonais e alimentação inadequada. O tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida, uso de analgésicos e medicamentos específicos para enxaqueca. Em casos mais graves, terapias alternativas, como aplicação de toxina botulínica, podem ser indicadas", explicou o neurocirurgião.
Enxaqueca com aura: um desafio diagnóstico
Um dos subtipos mais complexos é a enxaqueca com aura, que afeta cerca de 30% dos pacientes com enxaqueca. A aura se manifesta antes da dor de cabeça e pode incluir alterações visuais, como pontos luminosos e visão embaçada, além de sintomas neurológicos, como dormência em partes do corpo e dificuldade para falar.
"A maior dificuldade no diagnóstico da aura está na variabilidade dos sintomas. Como os sinais podem se assemelhar a outras condições neurológicas, como um AVC, é essencial uma avaliação médica detalhada para diferenciar corretamente cada caso", destacou o especialista.
Canabidiol no tratamento da enxaqueca
Ao final da entrevista, o Dr. Matheus Schimidt comentou sobre o uso do canabidiol (CBD) no tratamento de doenças crônicas e sua indicação para tratamento da enxaqueca. "O CBD tem sido estudado para algumas doenças e tem alguma eficácia em doenças crônicas e em algumas síndromes específicas epiléticas (não são todas). Outros usos são fora da indicação, o chamado off-label , mas é preciso ser utilizado com muita cautela na indicação. A enxaqueca não tem indicação formal de ser tradada com o canadibiol, não existem trabalhos robustos, importantes que mostrem uma comprovação do tratamento para enxaqueca. Existem muitos remédios já bem estudados e a maioria das enxaquecas são bem controladas com os medicamentos de primeira linha. Mas naqueles casos que não melhora com nada, já tratou com tudo, tudo bem, não deixa de ser uma dor crônica, intratável e que pode ser usado por enquanto porque não há um trabalho mostrando que é infecaz também. Existem evidências pequenas de algum benefício. Então não é uma indicação formal não é um tratamento de primeira escolha. A gente tem que tratar primeiro com remédios que são estudados há décadas e que tem sua eficiência comprovada e a maioria das enxaquecas são muito bem controladas com estes medicamentos convencionais", explicou.

