BRASÍLIA/DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 20, durante entrevista à Rádio Tupi FM, do Rio de Janeiro, que pretende se reunir com empresários para discutir formas de reduzir o preço dos ovos de galinha, que registraram alta nos últimos meses. Lula classificou o aumento como “absurdo” e atribuiu a alta nos preços a fatores climáticos e à exportação do produto para o mercado internacional.
Segundo o presidente, o calor extremo, as queimadas e as fortes chuvas no sul do país impactaram diretamente o preço dos ovos. Além disso, Lula mencionou que a demanda internacional também influenciou a alta, já que países como Estados Unidos e Vietnã passaram a importar ovos brasileiros devido à escassez local.
“Eu sei que o ovo está caro. E nós vamos ter que fazer uma reunião com os atacadistas para discutir como é que a gente pode trazer isso para baixo. Porque o fato de você estar vendendo produto em dólar, que está alto, não significa que você tem que colocar no preço do brasileiro o mesmo preço que você exporta”, declarou o presidente.
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a alta no preço dos ovos é considerada uma “situação sazonal”, comum antes e durante o período da quaresma, quando há um aumento na demanda por ovos como substituto das carnes vermelhas. A associação também destacou que o aumento nos custos de produção, especialmente o preço do milho e as temperaturas elevadas, afetaram a produtividade das aves.
O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Universidade de São Paulo registrou o aumento no preço dos ovos, enquanto a carne bovina apresentou queda no mesmo período. Lula mostrou otimismo quanto à redução no valor da carne bovina, destacando que a reforma tributária prevê a isenção de impostos para produtos da cesta básica, incluindo a carne.
Em janeiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,16%, a menor para o mês em 30 anos. O grupo alimentação e bebidas subiu 0,96%, influenciado principalmente pela alta nos preços da cenoura, tomate e café.

