PASSOS/MG – O adolescente Richard Simões Alves, de 14 anos, teve morte cerebral confirmada nesta quinta-feira (1/5) na Santa Casa de Misericórdia de Passos. Ele era o único sobrevivente do trágico acidente registrado na noite do último domingo (27), no km 357 da rodovia MG-050, em Passos, que matou cinco pessoas da mesma família.
Na colisão, o veículo VW Gol onde todos estavam perdeu o controle, subiu no canteiro central e colidiu violentamente contra uma caixa de concreto utilizada para drenagem de água pluvial. A mãe de Richard, Débora Santos Simões Alves, de 47 anos, e o cunhado, André Bernardes de Oliveira Silva, de 25 anos, morreram no local. Sua irmã, Lara Simões Alves, de 22 anos, e a sobrinha de apenas 3 anos, Ana Elisa Alves da Silva, faleceram horas depois no hospital.
Desde o resgate, o estado clínico de Richard era considerado gravíssimo. Após todos os protocolos e testes preconizados para a constatação de morte encefálica, a equipe médica confirmou o diagnóstico nesta quinta-feira.
Mesmo vivendo uma dor imensurável e diante de uma tragédia familiar sem precedentes, o pai do adolescente autorizou a captação de órgãos e tecidos. O procedimento deve ser realizado nas próximas horas, provavelmente no sábado (3), com o acompanhamento da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) da Santa Casa.
A CIHDOTT é responsável por todas as etapas que envolvem o processo de doação, desde a identificação de potenciais doadores, os exames que confirmam a morte encefálica, até o apoio à família e o suporte técnico à equipe de transplante. O trabalho da comissão inclui ainda o acompanhamento clínico do doador para garantir a viabilidade dos órgãos.
Após a captação, o corpo de Richard será liberado para velório e sepultamento. O local e horário das últimas homenagens ainda não foram divulgados.
Mesmo em momentos de dor extrema, a decisão da família de Richard representa um gesto nobre de solidariedade e esperança para outros pacientes que aguardam por transplantes em filas do Sistema Único de Saúde (SUS). A doação de órgãos só é possível com a autorização da família, e reforçar o diálogo sobre este tema é fundamental. A atitude da família Alves é um exemplo de empatia e amor ao próximo, mesmo diante de uma perda irreparável.

