PASSOS (MG) – O vice-prefeito e secretário de Planejamento, Maurício Antonio da Silva, afirmou que está preparado para assumir a Prefeitura de Passos a partir de abril, diante da iminente desincompatibilização do prefeito Diego Oliveira, prevista para março, para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A declaração foi feita durante entrevista ao Jornal da Alternativa, nesta terça-feira (13).
O movimento político ocorre em meio à reorganização do grupo que hoje comanda o Executivo. Diego Oliveira deverá renunciar ao cargo dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral para concorrer nas eleições de 2026, em um cenário que envolve a troca de posição do deputado Cassio Soares (PSD), que anunciou pré-candidatura a deputado federal, deixando espaço para a disputa estadual. O tema também foi citado pelo próprio Cassio Soares em entrevista ao vivo na última sexta-feira (9), nos estúdios da Alternativa, ao comentar o desenho eleitoral para o próximo pleito.
Durante a entrevista nesta terça, Maurício Silva sustentou que a linha de trabalho deverá manter a base iniciada em 2021, mas sinalizou que a condução do governo tende a ganhar marcas próprias. Segundo ele, a transição deve ser acompanhada de uma reorganização administrativa, com possibilidade de exoneração do secretariado pelo prefeito Diego Oliveira para dar liberdade ao sucessor na definição da equipe. Ainda assim, o vice-prefeito adiantou que pretende manter a maioria dos nomes atuais, caso a mudança se confirme.
Três frentes prioritárias
Ao falar sobre desafios imediatos, Maurício Silva elencou três eixos que pretende priorizar caso assuma o comando do Executivo.
Saúde: o foco, segundo ele, será estruturar um planejamento para reduzir e zerar filas de consultas, exames e cirurgias. Na entrevista, foi citada a existência de esperas que, em alguns casos, alcançam dois a três anos, cenário que exige reorganização de fluxos e ampliação da capacidade de atendimento.
Limpeza urbana: Maurício relatou incômodo com a situação atual e citou pontos de descarte irregular, como áreas verdes e saídas para a zona rural. A intenção, conforme declarou, é implementar medidas mais rígidas para conter lixões clandestinos e melhorar a rotina de manutenção urbana.
Lazer e infraestrutura social: a proposta apresentada inclui a revitalização de praças e espaços de convivência, com atenção especial a regiões periféricas, para ampliar oferta de lazer e melhorar a ocupação comunitária dos bairros.
Heineken e novos investimentos
Ao comentar o impacto da chegada da Cervejaria Heineken, Maurício classificou a empresa como um marco para a atração de investimentos e citou, como exemplo, a instalação do Centro de Distribuição Industrial do Grupo Marra, anunciado com investimento inicial de R$ 12 milhões. O empreendimento, conforme foi informado, tende a ampliar a estrutura logística da cadeia de bebidas, com previsão de retorno de cerca de R$ 350 mil por mês ao município em impostos e outros investimentos e a geração de aproximadamente 230 empregos, somando postos diretos e indiretos.
Na avaliação apresentada, a posição geográfica de Passos e a disponibilidade hídrica associada ao Lago de Furnas passaram a reposicionar a cidade como polo atrativo para grandes empresas, alterando a percepção de município “fim de linha” para um território com potencial de expansão industrial e logística.
Medidas anunciadas para enchentes e mobilidade
O vice-prefeito também afirmou que, nesta quinta-feira m(15), no gabinete do prefeito Diego Oliveira estão previstas assinaturas de ordens de serviço para implantação de bacias de contenção (lagos artificiais) voltadas à mitigação de enchentes na região da Avenida da Moda e do entorno da Barrinha. A estratégia busca reduzir o volume de água que chega aos pontos críticos em períodos de chuva intensa.
Outro anúncio feito na entrevista foi o retorno do estacionamento rotativo na região central, medida apresentada como alternativa para melhorar a circulação de veículos e ampliar a rotatividade de vagas, com impacto direto no comércio e na mobilidade urbana. Segundo o secretário de planejamento, por mais que o assunto seja espinhoso, especialistas dão como certo de que se nada for feito, em no máximo 5 anos, o centro de Passos estará completamente travado.

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